O chamávamos de Topo do Mundo e, quando a cidade inteira sucumbia a preguiça, íamos até lá. Levávamos todas as folhas de jornal que conseguíamos achar e ficávamos sentados lá, entre falas e silêncios, fazendo aviões de jornal com nossos nomes dentro. Cada atirar era um segredo, um pensamento, ou um trago de bebida. Ficávamos lá até a lua dividir o mesmo céu que o sol e então descíamos pra rua, procurando os aviões e acabando com a bebida que havia restado. Nick sempre dedicava cada um de seus aviões achados a uma pinta de meu corpo e Stella os transformava em presentes em formato de chapéu. Já eu, não conseguia nem respirar de tanto que sorria, quem dirá achar um de meus aviões.
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Alice tinha os olhos castanhos, azuis e quase sempre lilás. Tinha corpo de menina e alma de quem já viveu. Viveu em mundos longe desse, alegres ou tristes, eu não saberia dizer. Levou-me para o sul, para o norte e um pouco mais além. Bebemos tinha guaxe até congelar o ser e juramos nosso amor enquanto o sol foi dormir. Ela reluzia e saia para voar. Chamou-me algumas vezes.. Agora está por lá. [Alice é livre, solta e bordada de estrelas]
“Como ele é, pra você?” Garrel me pergunta. Está sentado sob um baixo muro de pedra; Os pés mergulhados no lago onde estou. “Ele tem tons d’um azul tão forte qu’eu nunca pude realmente ver seus traços. Os pés sempre no ar.. É uma explosão de fogos de artifício e todas as copas de árvores que me cruzam o caminho.” A correnteza brinca com minhas veias e roça-me os anseios “Só não me pergunte como ele é pros outros, porque isso ele nunca foi pra mim”
Stella está sentada em seu café favorito lendo contos de Poe. Observo-a de longe, sem a intenção de me aproximar; gostava de vê-la quieta, assim, como se nada existisse.
Um homem se aproxima, “Porque és tão quieta?” Ele pergunta. Ela vira outra pagina, olha-lhe nos olhos. “Sou triste.”
“Também sou.”
(Source: wishingwha1e, via thedollarwhore)
Querido Nick,
Eu aceito.
O meu lugar favorito em toda a Alemanha se chama Insônia. Tem as paredes cor de cinza e todo dia, às 04h06 da manhã, toca “Whe I grow up” do Fever Ray.
Costumávamos ir lá, às terças. Eu, Garrel e seus três amigos (cujos nomes eu nunca soube). Esperávamos o cuco, que ficava na parede perto do bar, cantar seu nome quatro vezes e então bebíamos um vinho barato; que sempre chegava ao fim antes do começo da música.
Também íamos a uma praça, a setenta e cinco passos do Insônia, onde Garrel e seus amigos faziam sua música. Para que todos entendessem que o importante em sua música era tudo, menos as palavras: cantavam em todas as línguas que não fossem o Alemão.
Eu ficava em um banco próximo e vez ou outra um deles vinha dar um trago em minha bebida. Conversava comigo por vinte minutos, ou uma hora. Sempre o suficiente pr’eu entender que a pouca importância que davam às palavras em sua música equilibrava-se com a muita importância que davam a essas em sua vida.
Falavam e falavam e falavam, até que suas almas fluíssem e não precisassem mais se concentrar.
O relógio finalmente bate as duas badalas pelas quais tanto anseio ouvir. Abres a porta.
Tuas mãos guardam cicatrizes tão belas.. És magra, tem a pele alva, e ainda guarda o cheiro mais fresco do mundo nos cabelos. Leva-me até a sala; a parede coberta por cartas direcionadas à mim e uma árvore com folhas em formato de palma “Ainda pinta?” pergunto-lhe. “Ainda guardo um galho para tuas mãos, sim”
Posso ver borros de tinta em teus pés. Vertigem sobe-me a espinha. Se ao menos soubesse o quanto queria lhe dar o sol..