1818

"Sem presumir do futuro o que sairá daqui, nada ou quase uma arte"

Mallarmé (Un Coupe de Dés).

pluto, alcalino,blogspot

Capítulo 23

Embarco no trem. Nada além de meus cigarros cobertos por desenhos d’uma tinta ainda fresca me acompanha. O trem é enorme, mas a cabine é pequena; apesar de só ter um outro alguém, me resta apenas um lugar.

O sol escorrega pela janela, já estamos a três horas da frança. Ele ainda não travou nenhum contato visual, lê A Metamorfose de Kafka.

- Se incomoda s’eu fumar? - Digo após um trago.
- Ora, sinta-se a vontade. Contanto que estes desenhos não a matem em minha presença.

Pressionei o cigarro contra o punho de meu casaco, apagando-o. Tinham sido dias muito azuis, como já diziam os cortes; Alias, tive os cortes pois não há nada melhor que um pouco de vermelho num dia azul.

- O que a trouxe a esse trem? - Ele me pergunta, repousando o livro sob o banco.
Sorrio - Vou á Alemanha buscar uma nova inspiração.
- Que há de ruim na velha?
- Nada. Alias, é a melhor inspiração do mundo; mas só foi assim pra mim.. E você, que o trouxe a um trem a caminho da Alemanha?
- Eu vou a Alemanha como quem vai a qualquer outro lugar. Tem sido assim há muito tempo e agora só procuro um tom que me faça parar.

Quando caiu no sono, as paginas de teu livro me contaram seu nome. Chamava-se Garrel.